Sobre o chão gelado e duro, me perco em devaneios .
Com olhares desinteressados passa por mim a juventude. Hoje sei porque um dia a tive .
O manto que me recobria um dia tão macio, tão aveludado hoje me causa repulsa .
Minhas juntas já frágeis, ajudam –me somente a dispersar minhas vontades.
Onde um dia a beleza imbecil da juventude reinou, consegue –se enxergar somente as marcas
ardentes da experiência . Meus olhos já não são tão vivazes , são somente reflexos do que fui ,
e do que tento ser .
Pego meus novelos de lã e aos poucos tricoto estórias, a como gostaria que alguém vestisse minhas memórias , aos poucos vou desenrolando –as, em um mesmo instante as guardo de baixo de tudo, em meu armário, em plena escuridão . Temo que a solidão venha a ser minha única companhia .
Que a tola juventude que hoje seca seus princípios , não esqueça que aos giros nossa hora chega, que possam ter álbuns , estes uma vez que sejam internos como os meus, que tenham vontade de contar sobre momentos de suas vidas, sejam estes simplórios, sujos ou divertidos .
Que gozem dessa luz de belos tempos, que o inverno da alma nunca os toquem , que tenham boas memórias do que já foram, pois quando a cortinas caírem, nada mais se poderá fazer . Ah!Como gostaria que alguém quisesse se perder em meus labirintos, onde eu não tenho medo de me perder.
Sou a formiga que anda pela parede, desprezada e diminuída .
Canto agora com a voz rouca de tempos difíceis, sofro com o silêncio ...
As portas agora eu fecho , deixo apenas algumas frestas de minhas janelas abertas , caso queiram entrar ...